adUnit

Ativistas lutam contra censura de fotos de parto na internet

"A maioria das pessoas não está mais acostumada a ver uma mulher parindo. Muitas até já esqueceram como isso funciona", diz uma delas

9 de julho de 2014 | 08h44 | atualizado em 10 de dezembro de 2014 às 14h21

Ela engravidou de uma menina, que seria a irmã de Arthur, o primogênito, e decidiu que queria registrado cada minuto da chegada de Isis ao mundo. A gaúcha e ativista em prol do parto natural Aline Martins teve o parto filmado e fotografado para não perder nada. Recuperada, ela compartilhou com amigos e familiares as imagens do evento, por sua conta do Facebook, mas não demorou até que o conteúdo fosse censurado. "Fiquei 24 horas com o meu perfil bloqueado, sem poder curtir, comentar ou publicar. Foi revoltante, tive o momento mais lindo da minha vida censurado", desabafou.

O material recebeu uma denúncia por conter nudez e pornografia, segundo mensagem do Facebook recebida por Aline. "Até concordo com a nudez, é impossível parir de roupas, mas nunca será pornografia", argumentou a mãe de Isis. O caso não foi isolado, outras também passaram pela censura de imagens de mulheres parindo, veiculadas em páginas no Facebook. Uma delas foi a militante Tássia Botelho, que mantinha a "GO Fofo Pira" no ar, antes de ser removida, com mais de 1 mil seguidores. "Eu postava matérias, pesquisas, vídeos e fotos de partos naturais. Quando publiquei a imagem de uma norte-americana com o bebê empelicado, demorou dois dias para surgir a primeira denúncia", relatou.

Tássia recebeu aviso semelhante ao de Aline, sobre a publicação conter nudez e pornografia, teve a conta bloqueada e o conteúdo removido. Ela e algumas amigas já haviam lutado pelo fim da censura a amamentação em público, então se uniram e criaram uma campanha com as hashtags #LiberdadeAoNascimento e #ParirNãoéPornô com foco na nova causa. O grupo reúne mais de 1 mil adeptos e, para a fotógrafa de partos Amanda Nunes, incentivadora do parto humanizado, o número de apoiadores, sem dúvida, é maior. "É um trabalho de formiguinha e de multiplicação", considerou.

A fotógrafa, após ter seu primeiro filho, começou a se interessar em clicar gestantes e bebês, até surgir a vontade de registrar partos. "É o momento mais importante na vida de uma mulher, além disso, no parto natural ela bloqueia vários acontecimentos que olhando as fotos pode lembrar", contou Amanda. A profissional já teve imagens de seu trabalho censuradas nas redes sociais e, no início, ficava indignada por pensar que a cena maravilharia as pessoas e não as incomodariam. "Tem sangue, mas é um parto, é uma coisa bonita", opinou. Em algumas fotos, reforçou Aline, as mulheres estão parindo e sorrindo.

Thaisa Barros foi criticada nas redes sociais após publicar fotos de seu próprio parto. "Não tenho nada contra quem posta fotos de biquíni, penso que as mulheres são livres, achei hipocrisia dela que me criticou por conta de nudez e as imagens dela mostravam o mesmo, só que com apelo sensual", relatou. Thaisa já teve o perfil bloqueado, assim como outras ativistas, mas não desistiu da causa. E o motivo não é apenas a censura, segundo explicou: "tive o meu primeiro filho por cesárea com apenas 36 semanas de vida, sem uma indicação real para isso. Eu não tinha informações na época e me submeti a uma cirurgia sem necessidade".

Mais informações, menos cesáreas
A campanha contra a censura do Facebook foi criada por mulheres indignadas ao verem as fotos tidas como pornográficas, principalmente, segundo alegaram as entrevistadas pelo Terra, diante de tantos "peitos" e "bundas" em fotos na internet e televisão que aparecem sem restrições. A causa, no entanto, é maior e as ativistas lutam para desmistificar o parto natural, incentivar mais mulheres a optarem pelo método e mostrarem que é seguro. São as fotos e vídeos que podem tornar mais normal à sociedade o parto humanizado, na opinião de Amanda.

"A maioria das pessoas não está mais acostumada a ver uma mulher parindo. Muitas até já esqueceram como isso funciona. Está mais fácil e cômodo abrir a barriga da mulher e tirar o bebê lá de dentro", disse Aline. As ativistas não são contra a cesárea, mas desejam que as futuras mamães conheçam os dois métodos e possam escolher a partir daí. Para Tássia, existe uma cultura do medo de que o parto natural, praticado pelas avós e até mães das gestantes atuais, é arriscado. "A obstetrícia moderna foi feita para salvar vidas em emergências, não para fazer cesáreas eletivas ou desnecessárias em todas as grávidas", criticou.

Além da recuperação mais rápida no parto humanizado, Thaisa citou o menor risco de prematuridade para o bebê, menor taxa de mortalidade materna e o contato com o filho logo após o nascimento como vantagens do procedimento. Um estudo feito pelo Centro de Cieências da Saúde Sunnybrook, em Toronto, no Canadá, apurou que o parto natural e a cesariana produzem resultado mais ou menos equivalente em relação à segurança e riscos. Segundo informações do Health Day, o diretor de obstetrícia do Hospital Geral de Massachusetts, em Boston, Michael Greene, a pesquisa serve para tranquilizar as mulheres que desejam parto natural e os obstetras para verem o método como uma opção razoável e segura.

por: Terra
adUnit PUBLICIDADE
adUnit
  © 2018 Terra Networks S.A Versão clássica